sexta-feira, 31 de julho de 2009

ronda obscura

Primeiro o arco
há de certeiro
o rastro armar
em campo a seta;
meta e palmo
alvo escuro
em plano curvo:
desconcertos
em linha reta.

ronda noturna

perpendiculas
minhas curvas
em nuas
ortogonais

quarta-feira, 22 de julho de 2009

romance bemol

sem ti
sou
mental

perversa

ruir o sentido
até o grito

aos mesmos sentimentos

sem ti
minto

sentimentos

sem ti
mentir
sem te
sentir

Cinema ao luar e música brasileira


Dica para esta semana:

Comemorando o Ano da França no Brasil, realizamos o projeto "Cinema ao Luar". Inspirada nos festivais de cinema ao ar livre do parque La Villete e Cinema au Clair de Lune, em Paris, a iniciativa tem o objetivo de promover, de maneira gratuita, o cinema francês e a música brasileira. O evento acontece dias 24, 25 e 26 de julho. Além da projeção de filmes franceses em 35mm na parede da platéia externa do Auditório Ibirapuera, que acomoda até 10 mil pessoas, o projeto contempla também apresentações de música instrumental brasileira antes de cada sessão de cinema. Confira a programação completa em nosso site: http://www.auditorioibirapuera.com.br/

terça-feira, 21 de julho de 2009

Dos costumes e dos desvios


O filme A Era do Gelo 3 é uma diversão para a família. Seus personagens formam uma família, têm problemas de família e primam pela formação e perpetuação da família. O amor e a amizade estão à frente dos problemas e qualquer um encontra forças para lutar pelo grupo. Mensagem importante numa época como a nossa, de divergências e separações entre as pessoas. Por outro lado, prima pelo conservadorismo, oferecendo como única alternativa o lugar-comum como o paraíso. Talvez a única criatura marginal desse meio seja o adorável e obstinado esquilo em sua saga homérica pela noz de seus desejos mais primitivos. Nada pode distraí-lo de sua missão impossível: o encontro final e eterno com sua noz dos sonhos. Entretanto, uma surpresa lhe aguarda e rompe o rumo de sua caminhada histórica: uma bela e sensual "esquilinha" faz tudo para desorientá-lo, pois ela também tem seus desejos, ou melhor, suas obsessões: a suculenta noz! Este nosso amiguinho fica dividido por um instante entre a paixão repentina por uma beldade e pelo amor incondicional que alimenta pela sua noz. É evidente que essa divisão não dará certo e todos nós torcemos pela felicidade de nosso personagem. A paixão, o amor, a família, os esquilinhos... enfim, o quadro de felicidade que temos no subconsciente de nossos desejos. Mas, este esquilo não sucumbe à lógica de nossa sociedade e é claro que seu destino se cumpre. Nada pode afastar um indivíduo de seus obstinados sonhos. Termina solitário nosso amigo, fadado a cumprir sua missão hercúlea de conquistar para si uma noz! Haveria algum aprendizado nessa trajetória? Seria este um personagem mais autêntico do que os da história da família feliz dos mamutes e agregados que habitam a Era do gelo 3?
Brás de cinco esquinas
Gatos rondam teus telhados
E os quintais de brasa

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Como responder a um fora


Hoje visitei a exposição de Sophie Calle, "Cuide de você", no SESC Pompéia. Como responder a um fora dado pelo namorado por carta? "Cuide de você" é a frase final dessa carta levada para 107 mulheres interpretarem segundo a perspectiva de suas profissões, a artista francesa transformou uma experiência pessoal e dramática numa obra coletiva e de sensibilidade. As várias leituras revelam traços de olhares que vão "resolvendo" a tal carta, formulando "respostas" e trançando os lances de um texto que se desmonta e nos devolve para a vida e para o discurso da própria arte.

sábado, 18 de julho de 2009

rimas à toa
tua louca
boca entoa
vitrinas:
entre vidas
- a garota -
entre vidros
em gritos
entrevê.

terça-feira, 14 de julho de 2009

X Seminário de Estudos Literários

Estão abertas as inscrições para o X SEMINÁRIO DE ESTUDOS LITERÁRIOS, na UNESP/ São José do Rio Preto/SP, que acontecerá de 13 a 15 de outubro de 2009.

Informações pelo site: www.eventos.ibilce.unesp.br/sel

Taxa única de inscrição: R$ 20,00

Um corpo encena

... e se um corpo e seu destino em meio ao passo e se não por um sentido de pronto a outro corpo se encorpora e como ainda seja pouco de borco sobre o outro se consola à luz da cena então seu passo no vão da porta em desalinho nos acena...

À flor da tela

teclas letras
digitais
a língua lambe

metais
nudez digital,

à flor
da tela

domingo, 12 de julho de 2009

Poesia em trânsito

Há uma poesia em trânsito hoje. Escrevi recentemente que pensar a literatura é pensar uma viagem cujo roteiro de signos revelam texturas de espaços e tempos que se tramam em fios numa rede tensa que invade os livros, a internet, as salas de aula, as paredes e muros. Nas rotas que se abrem, muitas palavras são abortadas, outras sobrevivem, poucas garantem a força de uma poesia sintonizada a uma idéia de recusa. No gesto da recusa, o ponto nodal, o lance de dados. Nessa rota possível de leitura da literatura, ler é um exercício de percepção, como pensou o professor João Alexandre Barbosa, d"o trabalho com os significantes responsáveis pela criação daquela multiplicidade de significados que tecem a tensão que envolve e desafia o leitor. Por isso, aquilo que é mais do que literatura na leitura da obra literária está sempre referido a uma organização específica de significantes, de tal maneira que os significantes extraídos da leitura (psicológicos, históricos, sociais, etc.) são definidos por aquela organização" (p. 15, de A Leitura do Intervalo, de 1990)
Mas eu falava: há uma poesia em trânsito hoje. Flagrá-la no movimento com que navega diante do nosso exercício de leitura é perceber nela esse trânsito como a presença da leitura que ela mesma propõe de obras do passado que se incorporam a sua experiência do presente e na "experiência do presente em que se situa o leitor. Experiência do presente não apenas dos significados, por onde a leitura seria não somente tautológica mas anacrônica, mas dos significantes a que outras obras deram acesso". (p. 16, de A Leitura do Intervalo)
Poesia em trânsito: poesia que sabe que todas as rotas possíveis confluem para um ponto nodal: poder de impacto sem o grito dos histéricos; responsável pelo choque sem fazer muito alarde; um sol amarelo que fere por dentro de quem lê.

sábado, 11 de julho de 2009

Homens de barro

Homens são feitos de barro.
Diluem-se por dentro
quando nos caminham
quando nos retiram
do ventre a vida
e depois
em meio aos botões e pregas de nossas roupas
perdem-se como poeira
acabam como grãos de areia
no biquini do último verão.

Entrando em cena

Muitos corpos estarão por aqui. Aguardem!
Vou deixar Zephyros sussurrar-me as boas-novas e os hálitos dos desditosos e cheios de si: divirto-me com eles!
E já decidi: não vou chorar o leite derramado das galáxias durante a noite.
Serei a esgrimista desta densa coreografia de palavras e desatar os nós (e tecer outros) dos poemas que me chegarem pela janela.

Um beijo!

Um corpo em cena

Da carne o traço
frágil frag
menta a nu
a som
bra ver
melha no
ar
rastro
re
flexo d'água
rasgo
roto à
beira da
palavra.