terça-feira, 21 de julho de 2009

Dos costumes e dos desvios


O filme A Era do Gelo 3 é uma diversão para a família. Seus personagens formam uma família, têm problemas de família e primam pela formação e perpetuação da família. O amor e a amizade estão à frente dos problemas e qualquer um encontra forças para lutar pelo grupo. Mensagem importante numa época como a nossa, de divergências e separações entre as pessoas. Por outro lado, prima pelo conservadorismo, oferecendo como única alternativa o lugar-comum como o paraíso. Talvez a única criatura marginal desse meio seja o adorável e obstinado esquilo em sua saga homérica pela noz de seus desejos mais primitivos. Nada pode distraí-lo de sua missão impossível: o encontro final e eterno com sua noz dos sonhos. Entretanto, uma surpresa lhe aguarda e rompe o rumo de sua caminhada histórica: uma bela e sensual "esquilinha" faz tudo para desorientá-lo, pois ela também tem seus desejos, ou melhor, suas obsessões: a suculenta noz! Este nosso amiguinho fica dividido por um instante entre a paixão repentina por uma beldade e pelo amor incondicional que alimenta pela sua noz. É evidente que essa divisão não dará certo e todos nós torcemos pela felicidade de nosso personagem. A paixão, o amor, a família, os esquilinhos... enfim, o quadro de felicidade que temos no subconsciente de nossos desejos. Mas, este esquilo não sucumbe à lógica de nossa sociedade e é claro que seu destino se cumpre. Nada pode afastar um indivíduo de seus obstinados sonhos. Termina solitário nosso amigo, fadado a cumprir sua missão hercúlea de conquistar para si uma noz! Haveria algum aprendizado nessa trajetória? Seria este um personagem mais autêntico do que os da história da família feliz dos mamutes e agregados que habitam a Era do gelo 3?

2 comentários:

  1. Acho que é bem isso. A gente se reconhece no esquilo, maltratado pelas situações e pelos roteiristas, correndo atrás de algo que sempre escapa. Está bem mais próximo do mundo, e é por isso que é tão bom rir dele!

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  2. Às vezes não sei, Marcos, se é melhor buscar na personagem da preguiça um jeito de sanar a nossa desgraça pela ingenuidade em acreditar que os modelos podem ser a salvação, que se esvai, invariavelmente, quando acordamos do sonho, mas sempre presente como crença; ou ser como o esquilo obstinado e fadado a ser um desgraçado em busca do desejo. Dá vontade de concordar com Schopenhauer heheheh

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