domingo, 12 de julho de 2009

Poesia em trânsito

Há uma poesia em trânsito hoje. Escrevi recentemente que pensar a literatura é pensar uma viagem cujo roteiro de signos revelam texturas de espaços e tempos que se tramam em fios numa rede tensa que invade os livros, a internet, as salas de aula, as paredes e muros. Nas rotas que se abrem, muitas palavras são abortadas, outras sobrevivem, poucas garantem a força de uma poesia sintonizada a uma idéia de recusa. No gesto da recusa, o ponto nodal, o lance de dados. Nessa rota possível de leitura da literatura, ler é um exercício de percepção, como pensou o professor João Alexandre Barbosa, d"o trabalho com os significantes responsáveis pela criação daquela multiplicidade de significados que tecem a tensão que envolve e desafia o leitor. Por isso, aquilo que é mais do que literatura na leitura da obra literária está sempre referido a uma organização específica de significantes, de tal maneira que os significantes extraídos da leitura (psicológicos, históricos, sociais, etc.) são definidos por aquela organização" (p. 15, de A Leitura do Intervalo, de 1990)
Mas eu falava: há uma poesia em trânsito hoje. Flagrá-la no movimento com que navega diante do nosso exercício de leitura é perceber nela esse trânsito como a presença da leitura que ela mesma propõe de obras do passado que se incorporam a sua experiência do presente e na "experiência do presente em que se situa o leitor. Experiência do presente não apenas dos significados, por onde a leitura seria não somente tautológica mas anacrônica, mas dos significantes a que outras obras deram acesso". (p. 16, de A Leitura do Intervalo)
Poesia em trânsito: poesia que sabe que todas as rotas possíveis confluem para um ponto nodal: poder de impacto sem o grito dos histéricos; responsável pelo choque sem fazer muito alarde; um sol amarelo que fere por dentro de quem lê.

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