sábado, 29 de agosto de 2009

mais blablablás de poesialoidetemporânea

Mais um fresquinho... não dá pra resistir à inspiração que me vem das janelas da net...
Quem dará a resposta certa será um poetinha amigo meu, companheiro de longos anos... Logo mais ele aparece.

As verdades incólumes
gritam nas cavernas
seu silêncio de estrelas
invernam os lumes e as crenças
vermelhas da terra
horizontes de pó dourado
crepúsculo inóspito
inferno do corpo
e rasgam horizontes azuis
nas veleidades da alma
as verdades insones.

Blablaloides: poesia é... pois é... mesmo?

Navegando pela net topei com uns ouropeis que me inspiraram! Meio atordoada com a baixa qualidade dos versos que vejo por aí, não resisti em contribuir. Fiz esse que vai em itálico, meio parafraseando a forma e o conteúdo dos que li. E

igual a esse
faço aos montes
por encomenda
é só dizer
a palavra certa
que a inexata
escrita arisca
versos verte
como formigas.

horizontes esverdeados miram
a paixão
azul dos amores
que tive
agora dissipam-se
como dinossauros
no ventre do tempo.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Postes

Na resistência da tarde
espreito esquinas:
solitários, os postes se
entreolham se
desejam nas
vielas e
virilhas.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Caminhamos por este mar de longo

Caminhava nas manhãs dos postes na extensão dos passos firmes pesados fundos. Caminhava na transpiração enfurescida. Alagava os poros como poças de escarro. Preparava a geléia de mais um dia.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Convite

co
me
on
co
mi
go
on
me

domingo, 9 de agosto de 2009

Como fotografar o vazio

Estou aqui a pensar sobre as relações entre a poesia e a fotografia. E queria dividir um pouco essa reflexão com quem aqui estiver por esses dias e achar que pode contribuir um pouco.
Concisão, recorte, montagem, moldura, o fora de campo, relações por semelhança e contraste, enfim, são vários os elementos que posso verificar e conceber como construtores dessa relação, que é compreendida por mim em termos de procedimentos iluminadores de linguagem. Nada a ver com descrição verbal de fotografias. Mas, sobretudo, criação na palavra do instante pregnante da ação, expansão do tempo no corpo e no espaço observado, trazido para o poema pelo dispositivo da memória. A sintaxe mínima, o verso deslocado, a construção metonímica... Moldura que se constrói no espaço encenado, moldura que se abre pelos espaços espacializantes do sentido...
Há um poema de Virna Teixeira, em seu livro Distância (2005), dentre outros que verifiquei, que consegue dar relevo a um traço dessa relação. Construído de forma fragmentária, o poema traz, na sua dicção mínima, a dimensão do vazio como presença que incomoda. Esta consideração já emite um olhar que percebe no elemento cromático, na espacialização dos versos que definem os termos como células isoladas, a expansão do sentido do vazio pelo espaço, que vai ganhando proporções sem medida. Por fim, a ausência metaforicamente construída na estrofe final.
Ei-lo:
Noite
branca, a sala
a cor desta
ausência
teto
inalcançável
sofá, o vulto
imaginário
de um corpo

sábado, 8 de agosto de 2009

all is annoying

after all
fall is coming
up
and
down
all is coming
after all.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Blow up

lágrima
bolha suturada
crisálida

SP PHOTO FEST

Para os que gostam e curtem fotografia como eu, estejam atentos!
De 10 a 13 de setembro, no Museu da Imagem e do Som, acontecerá o Primeiro Festival Internacional de Fotografia de São Paulo. E mais: gratuito! Apenas os workshops são pagos. Palestras com fotógrafos renomados como Cristiano Mascaro, Amy Arbus, Scout Tufankjan, Antonin Kratochvil e Jay Colton.
Infomações no site: www.spphotofest.com.br

domingo, 2 de agosto de 2009

Oh! Billie! As time goes by...

video

Blues on the Rock's

Against the rocks I push you hard
until the blood from your dammed soul
empty your brain and heart.

Uma palavra é uma larva é uma ladra é uma lança que mata

Quem nunca lançou palavras por aí que tropece nas suas pedras deixadas no meio do caminho...

Lancei várias, como a palavra "amor", casadinha com a palavra "coração", assim com cara de rosa, pequena e frágil, doce e suave, quase uma santa. Lancei amor nas cartas, pelo fio do telefone, pichei amor pelos pixels das madrugadas, em meio a teclas molhadas, em curto-circuito dramático total. Louca lancei rosas nas portas. Era verão. Secaram todas. Murcharam. Viraram fósseis.

Lançar palavras desafoga, desengasga, rarefaz o que era apenas sentimento. Rarefeitas, as palavras se transformam, viram do avesso, se pervertem, viram verso com rima toante. Desertam da gente.


sábado, 1 de agosto de 2009

O estranho de todos nós


Não poderia deixar de comentar, meio ainda imersa nas imagens do filme "Budapeste", de Walter Carvalho, algo que me chamou a atenção. Este comentário não vale como crítica mas como um dado para pensar. Não li o livro e não vejo que seria necessário conhecê-lo para fruir a narrativa do filme. Este sim me deu vontade de ir ao livro...
Algumas palavras para "Budapeste", que acabei de assistir numa sessão quase vazia deste sábado noturno (ah! a tal gripe! claro, levando as salas de cinema a serem o paraíso para mim!).
Algumas palavras, poucas, que me revelaram a poesia que está entranhada na narrativa da imagem do filme. O estranho, esse ser ao revés, o outro (um pouco de todos nós). Um escritor soturno, entranhado na sua obscuridade e cuja identidade espectral dá forma e vez à narrativa do outro, este sim um ser iluminado, colorido, sentado à mesa com um carimbo de autógrafos à mão...
O incômodo gera a tensão e revela ao nosso "ghost writer" o estranho e a magia do obscuro quando se depara pela primeira vez com a nuance amarela da cidade húngara, cujo idioma "é a única língua que o diabo respeita". Está feita a entrada do personagem José Costa (que sempre está de costas para os livros que escreve e nunca assina...) no espaço estranho que aos poucos vai absorvendo por via tortuosa e apaixonante.
Não é somente o idioma que irá atrair este autor obscuro. É a sua própria identidade obscura e soturna que irá se encontrar no amplo espectro de Budapeste. O monumento dedicado ao autor desconhecido é o ícone que invade o filme e traz a dimensão fantasmagórica que assombra José Costa. Entre um cá e um lá, Budapeste é o destino final deste escritor que encontra, afinal, o lugar simbólico a que já pertencia.