sábado, 1 de agosto de 2009

O estranho de todos nós


Não poderia deixar de comentar, meio ainda imersa nas imagens do filme "Budapeste", de Walter Carvalho, algo que me chamou a atenção. Este comentário não vale como crítica mas como um dado para pensar. Não li o livro e não vejo que seria necessário conhecê-lo para fruir a narrativa do filme. Este sim me deu vontade de ir ao livro...
Algumas palavras para "Budapeste", que acabei de assistir numa sessão quase vazia deste sábado noturno (ah! a tal gripe! claro, levando as salas de cinema a serem o paraíso para mim!).
Algumas palavras, poucas, que me revelaram a poesia que está entranhada na narrativa da imagem do filme. O estranho, esse ser ao revés, o outro (um pouco de todos nós). Um escritor soturno, entranhado na sua obscuridade e cuja identidade espectral dá forma e vez à narrativa do outro, este sim um ser iluminado, colorido, sentado à mesa com um carimbo de autógrafos à mão...
O incômodo gera a tensão e revela ao nosso "ghost writer" o estranho e a magia do obscuro quando se depara pela primeira vez com a nuance amarela da cidade húngara, cujo idioma "é a única língua que o diabo respeita". Está feita a entrada do personagem José Costa (que sempre está de costas para os livros que escreve e nunca assina...) no espaço estranho que aos poucos vai absorvendo por via tortuosa e apaixonante.
Não é somente o idioma que irá atrair este autor obscuro. É a sua própria identidade obscura e soturna que irá se encontrar no amplo espectro de Budapeste. O monumento dedicado ao autor desconhecido é o ícone que invade o filme e traz a dimensão fantasmagórica que assombra José Costa. Entre um cá e um lá, Budapeste é o destino final deste escritor que encontra, afinal, o lugar simbólico a que já pertencia.

Um comentário:

  1. Mas como não podia deixar de ser, o livro é bem melhor que o filme! Como toda história que acaba na telona, os romances são simplificados, alguns personagens não são como se havia imaginado, enfim, vale a leitura!
    Beijão
    Lígia G

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