domingo, 2 de agosto de 2009

Uma palavra é uma larva é uma ladra é uma lança que mata

Quem nunca lançou palavras por aí que tropece nas suas pedras deixadas no meio do caminho...

Lancei várias, como a palavra "amor", casadinha com a palavra "coração", assim com cara de rosa, pequena e frágil, doce e suave, quase uma santa. Lancei amor nas cartas, pelo fio do telefone, pichei amor pelos pixels das madrugadas, em meio a teclas molhadas, em curto-circuito dramático total. Louca lancei rosas nas portas. Era verão. Secaram todas. Murcharam. Viraram fósseis.

Lançar palavras desafoga, desengasga, rarefaz o que era apenas sentimento. Rarefeitas, as palavras se transformam, viram do avesso, se pervertem, viram verso com rima toante. Desertam da gente.


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