sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Deslizando na ponta da faca

Lau Siqueira, como sempre, no seu blog Poesia sim (http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com/), trouxe uma questão provocativa. Acabei respondendo à queima-roupa, nesta manhã de sexta-feira, quando a maresia dos papéis da semana anunciam um sábado e domingo de longas vagas no horizonte... Enfim! A resposta à queima-roupa anuncia para mim um outro texto que virá em breve, pois está no plano da semeadura neste momento. (Um outro amigo me lançou outra provocação recentemente).
"A literatura seria uma espécie de arte visual?" pergunta Lau. O "visual" me levou ao "verbivocovisual" com que os poetas concretos descreviam a poesia na sua natureza. Depois da imprensa a palavra poética não foi mais a mesma no ocidente. Se a poesia já primava pela visualidade com os gregos, sua presença pictórico-gráfica sempre encantou os poetas que se seguiram. O ritmo e a métrica precisaram ser revistos depois que o verso livre acabou entrando em cena (e revendo o espaço) e levando a todos os amantes de poesia a se sentirem poetas nos novos tempos. É claro que eu aqui já estou me encaminhando para outro problema que traz uma ironia de base (e agradeço ao Lau a provocação para me fazer escrever por aqui e por lá). A ironia está no fato de que, depois do abuso do verso livre (ou da sensação de que o verso é livre, será?), é necessário procurar saber o que é o verso metrificado, não pra voltar à tradição enclausurada das regras clássicas, mas para conhecer de perto os caminhos que o verso trilha na performance rítmica e sonora, na visualidade gráfico-espacial que pode ampliar as potencialidades de sua semiose crítica. João Cabral já o informava no rigor criativo com que trabalhava o verso em sua anatomia.
Poesia e literatura trazem um rigor de construção que não surge alhures nem se perde algures, mas que se constrói com base na linguagem, cuja natureza liberta precisa ser conhecida e roteirizada por quem se dedica a essa tarefa de produzir no barro e do barro o que não se perde no meio do caminho, pois o que fica continua incomodando e surpreendendo na superfície da água iluminada da tela do papel. Esta imagem, para quem não sabe, emerge do poema "Esquinas das ruas molhadas", do poeta Frederico Barbosa (Rarefato, 1990, Iluminuras). Vale a pena reler.

6 comentários:

  1. Aprendo sempre muito com Lau. Aprendendo com você. Muito bom. Beijos.

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  2. Susanna, copiei este texto como regra a seguir. Conciso, preciso, fantástico. Andei escrevendo algo sobre a crise do verso. Vou rever. Beijo.

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  3. Oi Sidnei,

    É mais uma colocação do que "regra a seguir". É o mesmo, creio, que fazer pintura abstrata sem saber desenhar... Eu brinco com meus alunos dizendo que eles têm de fazer um soneto na vida pra ver como é a engenharia da coisa! rsrsr Pelo menos se deve ter a consciência que há técnica e que o verso livre têm seu vôo rastreado por vários instrumentos...
    Bjs.

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  4. Apareça mais vezes, anote o novo endereço:
    O PoesiARáPidA mudou para o link:

    http://poesiarapida.blogspot.com

    Neusa Doretto

    pela
    poesia
    prática

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  5. Oi,Susannah!

    Gostei muito do artigo escrito por você. Muito. Você foi clara, iluminada em cada colocação. Outro dia eu e uma amiga entramos num breve debate sobre:- o poema deve narrar( ser longo,longo) ou o poema deve citar,insinuar? Eu sou mais pela segunda estrada, pelo poema trabalhado com poucas palavras, pelo processo de oficina mesmo da emoção com a palavra clara e bela. Porque a palavra precisa ser clara ( chegar ao entendimento do leitornauta) e bela ( porque senão for bela, ao menos,sedutora!)
    Quais os critérios, e por aí foi!..... O que você acha ?Se puder,comente comigo no curta ou no rápida,pode ser?

    Abraço
    Neusa

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  6. OBRIGADA PELO SEU COMENTÁRIO ( QUASE POEMA, OU POEMA MESMO,QUEM SOU EU PARA DECIFRAR)...
    VOLTE SEMPRE AO CURTA;)
    *Na semana que vem vou ver o Lau em JP;é amigo querido aqui da terrinha, levarei pra ele meu primeiro livrinho; que medinho, rsrs...
    Estou me encantando por aqui, sua poesia é pictórica!!!
    Bjos e até mais moça;)

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