sábado, 31 de outubro de 2009

Um corvo à espreita

não mais
outra vez não
mais outra
vesga vez:
o sempre cega a voz
da entrega em mim talvez
no corpo à risca
de ser nunca
ma(i)s a outra
da vez.

sábado, 24 de outubro de 2009

Saturnais

esquinas
placas
peitos
buzinas


sob saias
minguantes
luas espreitam pestanas
despidas


as ruas
ariscas
espremem peitos
na saída

Língua da noite

entre coxas
beijos bocas

moças e luares
entre claves

de sol

domingo, 18 de outubro de 2009

Delírios líricos

De lírios
teci
sem ti
os momentos
mais puros.

Desisti.

Agora sei
- colírica -
este lírico
sentimento
que sem ti
sinto e
minto:
puro delírio
onírico
do momento.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

outro cantar de amor

Todo canto resiste a tudo quanto
digo e sinto
e sigo pelos cantos tudo
quanto piso
em falso pranto em falso
dístico
o dito cujo canto sabe
o medo do urbano fato
de cantar o encontro que

tanto tempo escolhi contigo.

domingo, 11 de outubro de 2009

Aos românticos sentimentos

tudo o que brota
de dentro da rosa
tem sua rota
ranço derrota
sorriso de lagarta

sobra borra sarna
de uma rosa
um broto entorna

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

seresta sinistra

a noite vaza:
único olho que me acoita.



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Não sabia
seu veneno na paisagem:
olhos líquidos
e meus profundos naufrágios.
Não sabia
sua lascívia nas cordas:
vibrações de meus pudores
na dicção das faltas.