sábado, 19 de dezembro de 2009

À Condição Humana (para René Magritte)

Self-portrait, Magritte, 1923.

As obras de Magritte sempre me colocaram em contato com uma condição humana: a de ser uma tentativa de vida, uma interrogação, um abismo, uma seta apontada para um caos vertiginoso e ao mesmo tempo uma promessa. Mergulhada nessas dimensões me arrisquei a traçar uma rota no ar e daí me vi escrevendo o poema para Magritte, que eu ainda não sei e que eu ainda devo reescrever, pois para mim nada está tão acabado, nada persiste, pois as rotas são elípticas e podem nos levar para lugares improváveis e versos imprevistos...


"À Condição Humana" (para René Magritte)

Do ovo o ar-
tista prima
a matéria pura e fina
imitar.
Do que envolve a vida
o plano da asa agita
a oblíqua humana condição
e grita
do retrato o traço
e arrisca
no ar
o ar-
tista.

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