terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Foto clicada por esta gaivota


Uma fotografia é como uma palavra colhida ao vento, pura perdição. Uma memória surge em meio ao tempo perdido, rápida e falsa como as palavras que a emolduram. Frágeis.

Uma fotografia é esquecimento, frágil impressão de luz da retina obliterada pelas formas que passam. Assim a memória do domingo anterior se me aproxima e se esvai em pura sensação.

O tempo da memória seria uma fotografia do tempo? Essa memória que vem, vem plasmada pelo tempo que a tudo imprime sua marca, sua nódoa, sua graça? E essa grafia traria o fora de foco para a cena do agora?


É assim que o tempo me arrasta os traços do que me vem. É assim que as marcas de fora desta moldura imprimem suas digitais de tempo no celulóide de minhas frestas de corpo. O corpo sempre deixa vãos ao longo de tempo, vãos que se deixam abertos para o tempo entrar e flertar com a carne macia, maleável à memória... O tempo... um desgraçado!

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