sexta-feira, 2 de abril de 2010

Diálogos íntimos -1

Depois de um longo vôo sem achar repouso, esta gaivota "blasé" espera por um "fiat" e começa a falar com suas penas debaixo d'asa, enquanto tenta fotografar com seus olhinhos a tal luz no fim do túnel...


Ah, sei lá... cansei...

e cansada sigo adiante como uma onda ébria, e tremo, ante as faces do prisma. E vejo, distante, nestas horas ígneas, meu Pedro, que ri da minha insensatez que se derrama em queixas: olho, examino-me a epiderme, e não vejo a sua luz! Será que sou, talvez, um verme?

Ah! sei lá... cansei...

Pedro, não ria de mim. É o silêncio, o cigarro e a vela acesa que me incomodam. Na fuga, olha-me a estante em cada livro que olha: olho do cetáceo que na úmida raiva do oceano bufa. Ah, Pedro, nestas horas ígneas, eu sorvo seu beijo e o haxixe do estio, me envolve como um cheiro, bestial, ao solo quente, como o cio de um chacal...

Vai, Pedro, continua o que eu já sorvi de você, cansei.

E na sala muda, afonamente rufa, Pedro pega carona na asa da rima e paira-me no ar, livremente, e me descreve a paisagem desta hora, como ele a viu nas páginas que virei durante o sonho:

Eu sorvo o haxixe do estio...

E evolve um cheiro, bestial,

Ao solo quente, como o cio,

De um chacal


Distensas, rebrilham sobre

Um verdor, flamâncias de asa...

Circula um vapor de cobre

Os montes - de cinza e brasa.


Sombras de voz, hei no ouvido

De amores ruivos , protervos -

E anda no céu, sacudido,

Um pó vibrante de nervos.


O mar faz medo... que espanca

A redondez sensual

Da praia, como uma anca

De animal.


Pedro parou de falar e agora me olha como um livro que se abre, como uma pálpebra que se sabe, e me pisca como se um cisco entrasse no risco que se abre num círculo que me cobre de sonhos e sabres.









8 comentários:

  1. Belo blogue. Boas poesias.

    Um tanto complicado para olhos míopes ler branco sobre o preto, mas enfim o que tem graça sem sacrifício.

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  2. Ah, Edson, diga isso não... é que eu gosto de tudo branco no preto rsrrs Obrigada pela visita e pelas palavras. Uma gaivota fica sempre feliz com um vôo rasante de um visitante... bjs!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. oi, susannah.
    vim pra cá trazido pelo artigo sobre a virna. gostei do teu sítio. qdo puder, passa lá no meu barraco virtual:
    http://paulodetoledo.blogspot.com
    abbracci

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  5. olá, descobri teu blog -quase- por acaso e é de se imaginar que já no primeiro poema falas com pedro eu já tenha aderido ao grupo dos fãs.

    um abraço escreva sempre e quando puder visita o ping up

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  6. Gostei demais desse "diálogo" (vou esperar ansioso pelo II). A primeira vez que li Pedro Kilkerry, foi numa Re-visão feita pelos irmãos Campos. Gostei muito. Beijo.

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  7. Sidnei, Pedro Kilkerry ainda merece um estudo à altura. É uma poesia, a dele, extremamente motivadora e muito próxima da gente. Bjs!

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  8. Susannah, eu amo a poesia de Kilkerry, bela homenagem, a sua... beso,

    CD

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