terça-feira, 18 de maio de 2010

Paisagem rotunda

O corpo humano me alucina. Suas formas e desenhos na paisagem que percorro nos 480 quilômetros que me separam da cidade onde nasci entorpecem-me o olhar. O balanço das rodas e a massa humana à minha frente. Há fartura e tempo, memória e sonho em cada diâmetro de carne. Há beleza. Há vida. Não consegui me livrar da visão.


Expansão das carnes no branco farto da pele vermelha.
Os poros explodem a carne em tufos. A cava da manga, mole. Debulham-se em nódulos as conchas de crosta dourada na gordura quente da frigideira das ancas. O biquini insiste e desaparece entre as coxas.
Desponta a adiposidade dos dias nos passos abertos das plantas dos pés sempre firmes na areia do tempo. Lá vai rotunda paisagem ao sol. Lá vai ondeando a praia, concorrendo com as rochas, impondo medo ao mar. Duas luas se beijam no compasso do biquini quase efêmero entre as coxas irmãs. Nada é ligeiro na paisagem. O tempo expande e expõe sua farta lembrança de sóis e sonhos de pó. Lá vai o corpo cetáceo unir-se ao sol.

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