terça-feira, 11 de maio de 2010

Por uma erótica da língua

A retórica esconde uma erótica. A saber. A língua poética tem seus métodos. E principia por dizer que o poeta é um ser sem pudores. Mete a língua na metáfora que se abre como uma devassa aos sentidos. Com o obsceno par de olhos avança como um lince e no seio da palavra deglute suas mônadas de carne, entorpece com seu líquido som de luzes e opalas e lambe as lentas e ondulosas simetrias de seus nenhures. Palatável, o poeta lavra como uma lontra e desliza por entre os pés dos versos, já embriagados de imagens, suas longas sílabas e dança voluptuosamente os ritmos de sua erótica de facas. A cada golpe um corte, uma cesura, uma dor de lança e sangue no ar. Cromático é o poeta. Não suspira. Rumina sua próxima vítima.

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