segunda-feira, 26 de julho de 2010

Atrever-se

Escrever na linha
é prescrever a sina
de ser um ato
em desalinho.
Como agulha
inscrever-se
e bordar e atrever-se
à loucura.

domingo, 25 de julho de 2010

A saudade é azul

Minha saudade não sossega.
Saradinha e provocante,
vestida de delírios azuis,
se exercita todas as manhãs
sem pudores de dama.


terça-feira, 6 de julho de 2010

Diálogos íntimos -2

Estou sem tempo para os amarelos
o vermelho cresce

nas veias bebo doses de azul pra me acalmar
me banho de rosa
pra voar.

Minha saudade é azul no sol
amarelo
ferir o vermelho e a memória é saudável.
Minha saudade é saudável, baby.


Sou feita de vermelhos.
Os azuis são cúmplices de minha perversidade.


Quero você, negro de tudo. Quero você
nu
por baixo do branco
por baixo dos poros
só pele.


Estou sem tempo
roxos são os freios da voz
sorvo os azuis sua língua, florada
meus vermelhos
e só.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Fed up or what?

Imprimir-se contra tudo, calar-se fenda e cicatriz nas marteladas dos sinos sobre os poros pelinhos brotoejas das carinhas sorridentes de si. Reprimir todo o ódio e cólera até o sangue roxear na pele e implodir tudinho como um gozo boca a boca, nas papilas rosadas de cada letrinha roxa de raiva de saliva na garganta cacarejante dos gozadores da última foto. Deprimir-se depois, minguar-se, até deixar pele sobre osso, flácida e ácida, amarela de todo, como ranho. E com o dedo dentro de si puxar a cordinha da cortina e... viver a próxima cena?

ausência

sol amarelo
como um raio
submerso