segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pas-de-deux

A vida é um corisco. Vale o risco. Por isso escrevo como me visto, curtindo os mínimos detalhes da palavra curta: palavra ousada, mínima. Ser cadente e me meter nas esquinas e cruzamentos do que me vale um vôo ou uma brecada, uma freiada brusca, um cantar à risca dos pneus de larga estrada. Como eles alçar por sobre os viadutos a via-láctea. A vida é um corisco, mais vale o risco de penetrar as galerias que eu devaço no corpo que afogo cada dia. Dos meus naufrágios me visto. Vale o risco.

No vento

Sem retorno
em torno
de mim as voltas
no tempo voam
som no vento
sou evento
no repente
de mim.

No twitter das horas

Rola uma ideia
na barra da tela
papeia na orla
enrola e se mostra
um papiro no abismo.

Em cima da hora
rola na tela
a mesma sobra.
E uma ideia cava
antes de tudo
uma cara nova.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

mistério concreto

Somente o mistério
concreto
sua porra calada
de jeito
como pegada susto cilada
arregaça
o que antes era

palavra.