segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pas-de-deux

A vida é um corisco. Vale o risco. Por isso escrevo como me visto, curtindo os mínimos detalhes da palavra curta: palavra ousada, mínima. Ser cadente e me meter nas esquinas e cruzamentos do que me vale um vôo ou uma brecada, uma freiada brusca, um cantar à risca dos pneus de larga estrada. Como eles alçar por sobre os viadutos a via-láctea. A vida é um corisco, mais vale o risco de penetrar as galerias que eu devaço no corpo que afogo cada dia. Dos meus naufrágios me visto. Vale o risco.

Um comentário:

  1. Mto bom Susanna! Que ritmo, que ousadia... Risco anunciado e feito. Lembrei-me do poema Mocidade Independente de Ana César:

    Pela primeira vez infringi a regra de ouro e voei pra cima sem medir mais as conseqüências. Por que recusamos ser proféticas? E que dialeto é esse para a pequena audiência de serão? Voei pra cima: é agora, coração, no carro em fogo pelos ares, sem uma graça atravessando o Estado de São Paulo, de
    madrugada, por você, e furiosa: é agora, nesta
    contramão.

    Abs Priscila Topdjian

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