sábado, 27 de novembro de 2010

sexo de aragem

No homogêneo do seu sexo
sem engenho
a arte resvala
no centro:
um não à margem.

Aragem seu sexo
rarefeito de mundos
de muitos seixos guiados
ao acaso
dos meus lábios.

No centro soçobro
em cobra enrolada.
Engasgo metáforas
em nódulos de nadas.


A outra personagem desvanecida

Você
ensaio breve
de gente
não compreende
não sente
rente o abalo.
Em você
o desmaio
se tinge
e perde
e mente
a cor
do raio
que sente
e finge.

Sair de você
é urgente.
Pálido
de mim
como lua
eu quase
de quatro
crescente
me calo
antes que
seja
tarde.

domingo, 21 de novembro de 2010

silent

You're silent... mute...
like a nude
sculpture of light.

Where's your lust
influx of craving
and sight?

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Seu cabelo tem garras na ponta

seu cabelo
de garras na ponta
folhagem de bocas
e cólicas delícias

engole
a úmida letra

e seiva
lenta
e lança
açoita
e sente
me volta
em torno
em cona
em longa
serpentina

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dos meus naufrágios me visto

1.
Um corpete de bronze ergue
cada osso fraturado.
O veludo se integra aos vãos
e ao que ainda me arrisco.

A saia em cada prega
ousa mais atrevida
como espada prestes a
fundir-se em meio à carne
como doida despedida.

As meias se tecem rentes
são cristais de derme.
Se arrastam como ciprestes
devoram as dobras da pele
agarram e sobem na noite
a desejar o mais
que a consente.

Penetrar o labirinto e perder-se
permito. Nos meus naufrágios
me assisto.

2.
Um corpete de bronze tece
um veludo fraturado,
crista de ossos rente
à pele como dente
de desejo inaugurado.

Trama de pele e bronze
corpo de dentes ergue
à pele o desejo osso
só veludo quando sente.

E sente quando encorpa
sua sede pele adentro,
cria nos ossos a derme
cristal carne e desejo.

Mas a pele rompe fria
- osso em corpo -
exígua, exata,
de nenhuma se tinge

e naufraga.