segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dos meus naufrágios me visto

1.
Um corpete de bronze ergue
cada osso fraturado.
O veludo se integra aos vãos
e ao que ainda me arrisco.

A saia em cada prega
ousa mais atrevida
como espada prestes a
fundir-se em meio à carne
como doida despedida.

As meias se tecem rentes
são cristais de derme.
Se arrastam como ciprestes
devoram as dobras da pele
agarram e sobem na noite
a desejar o mais
que a consente.

Penetrar o labirinto e perder-se
permito. Nos meus naufrágios
me assisto.

2.
Um corpete de bronze tece
um veludo fraturado,
crista de ossos rente
à pele como dente
de desejo inaugurado.

Trama de pele e bronze
corpo de dentes ergue
à pele o desejo osso
só veludo quando sente.

E sente quando encorpa
sua sede pele adentro,
cria nos ossos a derme
cristal carne e desejo.

Mas a pele rompe fria
- osso em corpo -
exígua, exata,
de nenhuma se tinge

e naufraga.

2 comentários:

  1. Imagem a imagem, ponto a ponto, pele a pele...
    Naufraguei... e agora, me veio o poema de Aguinaldo Gonçalves... vou lhe devolver

    devolvo a ti
    os cascalhos de meu corpo
    migalhas de meus sentidos
    poeiras de meus segredos
    do escarcéu de nossos gritos
    passo-te nessa sacola
    meus olhos fitos de dor
    signo do infinito
    (is iks nd ãs)
    devolvo a ti
    fragmentos de minhas unhas
    e pelos de partes nuas
    tuas partes
    unhas minhas
    jogados no corpo meu
    triturados nesta forma
    devolvo a ti a imagem
    do amor que sinto por mim

    Abs Priscila Topdjian

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