segunda-feira, 30 de maio de 2011

Como se fosse fóssil

Habito cavernas

inocente e crédula

como uma libélula

às cegas

em desesperada entrega

no eco abafado dos gritos


crivo

nas pedras

as unhas

no carvão

os olhos

sábado, 14 de maio de 2011


Hoje a lua
tá cheia
de si


paisagens do corpo - 1

Nos olhos da gaivota, tudo são paisagens de corpo...


Buscava nela amparo na ilusão dos olhos, no labirinto dourado dos cabelos, no corpo novinho como folha de alface: me procurava perdidamente na escuridão da boca falha das palavras poucas na alegria vazada sem beira., crédula de que o mundo acabava num par de bocas e promessas. deixei-a no aceno cego da rodoviária vazia. era tarde. eu tinha urgência do ar raro feito memória do corpo ainda tenso que me ofertava.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Gaivotinha em crise no tempo de suas asas no espaço que atravessa... Sem saber viver, vive como pode no vôo urgente de sua sede pelo outro...

Minha inocência frágil imensa: a única que mantém meus olhos sorrindo para o vazio que insiste como uma gárgula na soleira dos meus sonhos.

Depois

De Magritte, esta gaivota respirou o nada.


Na partida
sombra imprevista
memória nua
minha
tua


terça-feira, 3 de maio de 2011

Badaladas d'andaló

meninas

folham e refolham

sob o sol

loiras

desandanças

embaladas danças

badaladas

lançam

olhos flancos pastéis

vê-las entre

pelo incerto

sempre

havê-las

e como que perdê-las

querê-las

incertas

louçãs.

domingo, 1 de maio de 2011

Rescrito

Em rede

ler o mero

incerto excerto

dejeto abrupto.

Raro desejo:

ser em rede

sábio e vidente

citando a lente

visão distante

de quem ouviu

vagamente

o que ainda

não sentiu

como carne

amargar

entre os dentes.