sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pele nua

Porque a tua
mão segura
ruptura de pele
e agulha
patrulha e segue
a minha insondável
nervura.

E porque nunca
antes tocada
a pele segura
se rasga
no paraíso e grava
língua sede e saga.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Dizer o nunca

Porque as ausências têm sua presença constante na retina que clicou este instante de espera.


Diria o mais que o dizer alheio,
sem o tanto que o pesar se impunha.
Dizer-lhe por conter o ontem
o que jamais poderia.
Se eu pudesse o nunca, se eu quisesse
o nunca dizer
a suma que me apavora
o que nunca antes poderia...

...o que nunca antes
agora se afoga
agora se arrola
neste vão
grão
dizer que retorna

tempo deposto
sua face
nunca mais
minha porção

Num antes, o agora deposto

Momento crise fotografado por esta gaivota num vôo que foi um bálsamo nesse dia (a lagoinha tava boa pra gaivotar)

Eu queria tanto lhe dizer ontem o que jamais lhe direi o que poderia ter sido se assim eu pudesse dizer o que eu quisesse o que nunca disse que eu lhe digo neste dizer que me apavora o que nunca antes poderia o que nunca antes poderá ser o que agora se arrola neste vão dizer que o tempo dissolveu em crise de nunca mais assim poder ter você.