sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Dizer o nunca

Porque as ausências têm sua presença constante na retina que clicou este instante de espera.


Diria o mais que o dizer alheio,
sem o tanto que o pesar se impunha.
Dizer-lhe por conter o ontem
o que jamais poderia.
Se eu pudesse o nunca, se eu quisesse
o nunca dizer
a suma que me apavora
o que nunca antes poderia...

...o que nunca antes
agora se afoga
agora se arrola
neste vão
grão
dizer que retorna

tempo deposto
sua face
nunca mais
minha porção

3 comentários:

  1. é interessante como teu olhar capta e constrói a poesia do momento. jogo de memória/ projeção/ criação...

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  2. É um tempo que se quer espacializar no agora...

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  3. Inah Lins de Albuquerque17 de setembro de 2011 15:07

    Susana

    Sempre releio Proust e Maurice Blanchot,quando revejo no tempo redescoberto, transmutação do passado em presente, a certeza, ou quase, de que há uma porta aberta para o espaço central da imaginação, quando aparece a resolução de escrever à luz desses preciosos instantes.
    Você consegue exatamente isso, escreve à luz de preciosas reminescências.
    Parabéns e continue nos proporcionando enxergar esses momentos raros e preciosos.

    Inah Lins

    Parabéns!

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