domingo, 25 de setembro de 2011

Reflexões de abajur




Paisagem clicada pela retina desta gaivota em dia de sol quente e saudades no corpo

Esta gaivota anda voando baixo. Tem saudades da terra. Anda pousando num aqui e acolá, como que desejosa de trançar os ventos num ciclone. Um olho só na testa talvez contribuísse. Assim como está, as asas se rompem. Uma vez meus olhos demoraram-se demais nos do vento. A janela nua que flagrara lançou-me  para a perspectiva tortuosa da avenida, em fuga. Como gaivota vestida de naufrágios, mirei a boca que se abria em dádiva. Difícil despir-me desse colete agregado à pele. Mas gaivotas se lançam como seta ao sabor do arco de seus desejos. Naufragar novamente parece cumprimento de sina. Novamente vem, como acorde, a melodia em lá bemol numa escala impossível. A dissonância, sempre. 

Poesia, my sweet pitherick, não se escreve. Mas se inscreve na palavra que eu colho na sua boca. Naufragar agora é irremediável. Nem Posseidon pra me salvar. 

Um comentário:

  1. ...é preciso salvar quem ñ naufraga...

    essa gaivotinha é ontologicamente náufraga, livre para deixar-se aprisionar pelo vento ou pela terra, livre para libertar-se qdo o arco de seus desejos muda de direção :)
    sagaz para inscrever na palavra suas coisas de pele.
    Voando alto ou baixo está inevitavelmente acima de muitas batidas de asas q a gente v por aí...

    ...se todos tivéssemos um abajur... rsrs

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