sábado, 19 de novembro de 2011

Descoberta do amor

da pedra o cardo
se lança e atreve
se rente no traço
da ponta se ergue
qual flor se desnuda
ao grave da pele

Marugem

Monet entre as asas, sempre.

As coisas surgem
do caule da gente
insurgem
marugem
de esponjas
quais monjas
silenciosas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Crônica do amor volante

Tô chegando, ele disse.
Tô subindo, eu disse,
pelas paredes, louca e demente.
Espero aqui embaixo, ele disse,
enquanto eu, agarrada às correntes,
pelas pernas,
me ungia na urgência
de mais um encontro
com o desespero
do enredo próximo.

Desejo vermelho


Meu desejo vive
sem freio.
Roundabouts.
Meu carro é vermelho.
Ansiedade no espelho.
Só vejo você
em curvas de volante
distante
six hours
de um beijo cortante.

Esta gaivota viajante tem seus desejos e, já com saudade do que não viu, quis também dar uma espiada na tela 
"Paris par la fenêtre", 1913, de Marc Chagall. Estonteante...

sábado, 12 de novembro de 2011

Ondas

 Gaivota naufragou junto aos amantes nas ondas deste céu de Marc Chagall

ondas
rondam agora
 a sua
exata 
figura

revolvem
do centro
encontram
a sua minha
escultura

corpo de pele e conchas
corpo de febre em ondas

revolvem
no centro
encontram
minha sua
loucura






terça-feira, 8 de novembro de 2011

Olhar de fendas


Esse teu mistério me excita.
Fita-me da sombra como se
o grafite no olhar de fendas
resistisse a minha sede ainda.

 Num vôo noturno, esta gaivota fincou o olhar nas fendas da "Noite estrelada", de V.Van Gogh, e lá ficou.