sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Dibujo para la mañana

Esta gaivota sobrevoou os buenos aires deste artista portenho e pousou entontecida na obra 
"Sem título", 1990, de Leon Ferrari (Buenos Aires, Argentina, 1920)

Buenos Aires es una renda elíptica de luces.
Las calles me timbran los passos de mis sueños
como sonidos de ayer.
Hoy las ramas serpentinas de voces
como lluvia son de ti
las sombras
las horas
que me olvidan en las notas
de la sonrisa de su boca.


Saudade (intradução em três tempos de compasso de espera)

Saudade (1899), de Almeida Júnior 

1.
so
bre
vi
ver

2.
breveviver

3.
sobre
sobras
verso
prosa

sobre
as
ondas
sombra
e
rosas

sobre
todas
so
ço
bram
sobre
tudo
as
horas


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Olhar o mundo e revelar-se

Nem só de poesia vive esta gaivota. Num vôo tranquilo, apesar da tarde fria desta São Paulo barroca (se achando londrina), cheguei ao prédio imponente de pilares vermelhos - o MASP, com um propósito certo: anotar, refletir, fazer a leitura no caderninho, escrevendo, articulando tudo, num prazer extremado de poder saber retirar daquilo que eu veria o resultado de tanto esforço e dedicação feita ao longo de tanto tempo por mim mesma, nas minhas viagens em busca por compreender as linguagens e o senso estético que as articula em si mesmas e em relação intersemiótica. O quadro de Thomas Gainsborough, Drinkstone Park, de 1747, interceptou-me o vôo logo na seção Romantismo - Natureza. Nessa pintura o elemento mais "humano" é a árvore, praticamente seca, com seus galhos em movimento ascendente, desejando o céu, o infinito. Suas raízes, aéreas, lançam-na nesse movimento de busca. Simplesmente sublime. A natureza é a expressão, neste quadro, do desejo humano pelo mistério, pelo sagrado. É na natureza que o sujeito da percepção - o autor - irá representar a presença de uma "verdade" que anima o mistério do mundo e lhe dá caráter sensível. "Ser a árvore", neste quadro, situa o elemento humano (o receptor, o leitor da obra) na dimensão primitiva de um olhar que retorna ao mítico com seu poder revelador.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Renovar Dia a Dia Sol a Sol Renovar

Neste poema-tradução de Augusto de Campos mora toda a verdade: mudança, movimento, deslocamento, ousadia. Meu roteiro de vida e de ano novo não me assombra, mas desafia. Põe-me na lâmina fria do que não conheço e tece no corte rente o caminho, ao sabor dos poros que se abrem trêmulos à sede que me toma por seiva, e adentra caule e pistilo. Doar-me toda a esse desejo que me toma é a única via deste vôo.

O Ano Novo não é muito longe daqui