quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Olhar o mundo e revelar-se

Nem só de poesia vive esta gaivota. Num vôo tranquilo, apesar da tarde fria desta São Paulo barroca (se achando londrina), cheguei ao prédio imponente de pilares vermelhos - o MASP, com um propósito certo: anotar, refletir, fazer a leitura no caderninho, escrevendo, articulando tudo, num prazer extremado de poder saber retirar daquilo que eu veria o resultado de tanto esforço e dedicação feita ao longo de tanto tempo por mim mesma, nas minhas viagens em busca por compreender as linguagens e o senso estético que as articula em si mesmas e em relação intersemiótica. O quadro de Thomas Gainsborough, Drinkstone Park, de 1747, interceptou-me o vôo logo na seção Romantismo - Natureza. Nessa pintura o elemento mais "humano" é a árvore, praticamente seca, com seus galhos em movimento ascendente, desejando o céu, o infinito. Suas raízes, aéreas, lançam-na nesse movimento de busca. Simplesmente sublime. A natureza é a expressão, neste quadro, do desejo humano pelo mistério, pelo sagrado. É na natureza que o sujeito da percepção - o autor - irá representar a presença de uma "verdade" que anima o mistério do mundo e lhe dá caráter sensível. "Ser a árvore", neste quadro, situa o elemento humano (o receptor, o leitor da obra) na dimensão primitiva de um olhar que retorna ao mítico com seu poder revelador.


Um comentário:

  1. Qdo li seu post no face, pensei "...hum, essa gaivota vai fazer um pouso lá no blog..." rsrs
    que bela leitura a sua! Dizem q as pessoas veem de acordo com o que trazem dentro (o q não deixa de ser uma afirmação um tanto romântica), mas passa algo com vc, q sempre lança sementes de beleza ao seu redor... é o tipo de pessoa q se deseja por perto, sempre talhando a matéria bruta da realidade, sempre fazendo da vida e do mundo uma arte maior! Bjs!

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