sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Caminho percorrido


Ontem eu apenas procurava um endereço antigo em meio a umas cartas também antigas e encontrei o que não buscava. Um eu-mesma que ainda resta em mim nas cartas de um tempo em que a vida se abria como um presente no seu laço enorme de fita azul e papel de seda. Ver-se assim refletida no espelho do tempo me faz pensar no acúmulo de imagens  que têm se sobreposto no caminho percorrido, nos inúmeros laços de fita que desatei e de outros que apertei insuportavelmente. Ainda bem que essa que encontrei nas cartas ainda sobrevive entre os escombros do tempo. É ela que me dá vida nesta vida de tantos desencontros. 

Um dia escrevo essa escrita de laços e de nós. Porque há nós, um eu e você, no desatar e atar de estradas a céu aberto e coração partido.

Foi ele, meu pai, que ensinou esta gaivota
 a escrever com as asas na areia do tempo.

Um comentário:

  1. ...a todo instante de vida q te teceu, a todo laço que, com maior ou menor tensão, tua vontade formou, registro aqui a minha natural gratidão. Todo fragmento de realidade q tendeu a ti e ajudou a te realizar no tempo é digno do meu carinho, silêncio e admiração... tudo q se faz vc, ainda q uma recordação acaso de carta compõe a beleza da arte q vc é e salva-nos... bjs, prof!

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