domingo, 18 de março de 2012

da natureza das gaivotas


Ser uma gaivota é um desafio. Vestir-se e alimentar-se dela é mais do que assumir um avatar. É um encontro, de mim comigo, com a que sempre esteve com o olhar atento para o mundo, distante, curiosa. Entregar-se ao voo é abrir-se para a aventura. O voo é planejado, pensado, erguido nas asas, driblado pelo vento, labiríntico na rota, arriscado na aterrissagem. Como dizer a gaivota é um exercício constante. O texto de Fernando Paixão, que segue aqui, me traz um desenho curioso porque vem ao encontro dessa imagem verdadeira como espectro de mim mesma. Quem me conhece que diga se há nas asas desta gaivota esse desenho tatuado... É pra você, leitor querido, que me entrego agora, no espelho, mirando as estrelas, no silêncio do seu olhar.


Eis o que uma gaivota consegue mirar quando se lança ao céu: 
se entrega ao mistério da pintura como se num quadro de Turner aterrissasse...


2 comentários:

  1. Cangaio

    Meu sonho entre gaviões e pipas
    A merce de ventos imprevisiveis
    Minha vontade e desejos,
    Embaraçados numa amalgama do tempo.

    O que posso conquistar, no alcançar de minhas mãos?
    Os olhos veem e o coração padece.

    Ninguem ve em mim esperança,
    Ave intacta vacilante em decolar
    Até quando deixare-mei desanimar,
    Pelo murmurio sordido daqueles que nunca irão voar

    Ao incredulo a paralisia das asas
    Ao desesperançado o desagravo de um novo dia.

    E a coragem do que se lança,
    No abrir das asas,

    O apoio invisivel da força dos ventos
    Atravessando a tormenta,
    O pouso triunfal,
    No berço elevado da borda das montanhas.


    Bom Dia, Susana
    Inspirado na época pelo livro de Fernão Capelo Gaivota, iluminação! Abraço Marcio Robert´s.

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  2. A única gaivota que eu conheço nos brinda todos os seus voos no brilho do olhar. Um olhar que desvenda e desperta horizontes, às vezes, dentro de nós mesmos. A única gaivota que eu conheço compensa todo o meu desconhecimento do resto da espécie... E sim, ela traz tatuado nos olhos, nas asas, o desenho transparência de uma vida que se projeta e entrega, mas há que ter olhos para ver. E uma vez visto, ñ há mais como deixar de amar... à gaivotas :)

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