terça-feira, 20 de março de 2012

dos exercícios do olhar


Eis o horizonte de quem não tem medo de olhar: Jan Zwart, o fotógrafo que nos faz voar.

Fios de tempo tecem o espaço: o meu navega, feliz, no horizonte que desatei, em tempo, do seu naufrágio. Mudei de barco. Andar de submarino me sufoca. Nunca mais. Sua fragilidade é feita de aço. A minha, de papel crepom.

Eu remo. Você lamenta. Eu bebo a água salgada. Você procura o abridor de garrafas. Eu nado. Você se agarra no flutuador. Deixo você submerso na memória. Eu me procuro na melodia das gaivotas que sabem, como eu, que os peixes melhores não temem o voo e emergem para respirar. Eles não temem as gaivotas e seguem no seu nado aéreo, ao encontro da minha lucidez.

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