domingo, 18 de março de 2012

"Gaivotas"


Uma gaivota sempre encontra uma saída para outra aventura:
é o horizonte que a alucina e as são as descobertas que a deslumbram. Ser gaivota é 
navegar o sonho e viver o voo 
e encantar-se 
com as descobertas.


"Gaivotas (por Fernando Paixão)
Se a arte das gaivotas consolida um território para os sentimentos, não se pode cair na pieguice de compreendê-las por um buquê de flores aéreas. Seus volteios e maneirismos guardam sim uma haste vertical, a partir dos olhos, mas espetada numa água que só se faz escapar. Água.
Se as gaivotas comovem é porque se mostram indecisas entre o alto das rotas e o refúgio das marés baixas. Há nuvens acima e cardumes embaixo; elas sentem familiaridade com os dois planos e entre eles escrevem uma carta pessoal e única.
Debaixo das primeiras luzes da manhã rabiscam o inquieto conhecimento das rochas próximas e não têm medo de serem frias as águas de um espelho, onde elas devem mergulhar e procurar alimento.
E também faz parte do movimento das gaivotas o respiro dos ares, as asas entregues à intuição de folhagens frescas. Por isso as direções do vôo tanto se assemelham ao elevar e abismar-se da clássica forma de um coração. Ponteiam para o alto, as gaivotas, mas logo encurvam o sentido e o arremetem a uma procura descendente. Muda o interesse ao sabor da linha, mas sem perder o estilo."

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