sábado, 13 de abril de 2013

instante pregnante


Sempre o medo a devorar na gente as asas... 
Às vezes as gaivotas se sentem . Às vezes as gaivotas sentem. Às vezes, há gaivotas que mentem.

A carne exposta no vestido exposto de vazios denunciava a armadilha armada atenta. Era toda curvas no movimento pensado. A altura da testa denunciava o centro do seu horror. Lívida a face, negros os olhos, como dois lances de arco em pestanas que não piscavam. Assim caminhava ao longo do corredor. O suor impregnava o solo, o odor ordenhava as paredes, sempre dispostas a cercear o medo. Seu drama era a cena que subia ao palco todas as tardes. A porta desta vez abriu-se rápido às passadas. Ignoraram-na. E ela avançou lenta até a frente. Abriu a bolsa. Olhou o relógio e sua sede tardia. Esvaziou-se nas palavras que entregava sem fé. Presa na armadilha que fizera de si mesma, fechou os olhos e inundou-se do instante. A sala vazia a sua frente apontava o último verso com que no meio do caminho estancara. A pedra que faltava interrompeu a carne, abriu as cortinas e deixou que a luz vestisse seu corpo. Exposta como poça, engoliu-se como pode.

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