sábado, 31 de agosto de 2013

A delicadeza dos rinocerontes

Rothko inflama a vista da gente. Sozinha assim a tela agride. 
Maldade do espectro que resolve mostrar o lado rinoceronte da vida.

Ela era só sorrisos. Fazfavor. Comlicença. Obrigadíssima. Sintomuito. Larga a sua boca dentada. Ninguém via o rabo. Sempre coberto pela saia florida, comprida, disfarçando as ancas que desandavam no corredor. Bomdia! E lá vinha a rombuda torcendo os calcanhares nas sandálias de dedo à unha. As da mão, carcomidas pela fome faminta do que não é seu. Arrombou as portas um dia com a delicadeza dos rinocerontes. Fincou a garra dos dentes nas janelas. As ilhargas tomaram conta da sala. A saia florida vegeta ainda em girassóis de pregas. Mas como tudo, nesta vida infame, tudo mesmo se esborracha, pois há quem seja apenas inflada e inflamável. O laranja não é, definitivamente, a minha cor predileta.


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