quarta-feira, 26 de março de 2014

Ditirambo, de Oswald e de Mim de Andrade, com a licença do destino

Chagall passou perto da gaivota, desenhou um círculo no ar 
e deixou cair os amantes sobre o cavalo azul... 

Meu amor me ensinou a ser simples
um banquinho e um violão 
as notas não se sabem 
as mãos agarram o lápis 
e insinuam a sensualidade nos pés
E se ele vier
dançarei
e se ele vier
sapatearei
sacolejarei
todos os coqueiros dos Jardins das Platibandas
aos dois
aos três
aos grupos
ao longo da linha 
onde nenhum sino
nenhum lápis
ousam riscar da paisagem
a sensualidade da atmosfera violeta
do maxixe dos dedos de GilberTa
e das TeTas Vespas - alTas - como Torres.

Meu amor me ensinou
todas as coisas
que nunca vi.


quinta-feira, 13 de março de 2014

relírico

Na paisagem tudo é o que pode e deseja ser
(Dans le Bois de Bologne, dans le paradis)

era mimeses
como todas as manhãs
e repousavas tuas assonâncias
sobre a sintaxe limpa da louça
aliterações na paisagem
alegorias com sua boca
barrocos teus olhos
metonímicas tuas pupilas

eras um quiasma nas metáforas da manhã

Academicismo


A paródia para ser original, 
Picasso sabia disso e foi em frente, 
aprendeu com as gaivotas a ser caçador




querem que eu seja original 
que tudo o que eu diga seja 
original como as flores
original como os planetas
original como os postes
que perfilam sua cinzenta capa concreta
na origem das esquinas
e ao longo das sarjetas

domingo, 9 de março de 2014

entre nós a voz

Dans le Jardin des Serres d'Auteuiles, a gaivota pousou numa das cabeças do retábulo. Todos se divertiam e nem perceberam quando ela roubou uma uvinha do centro do cacho...

E esse ritmo de carne
que entontece as curvas
paisagem e voz
que tece nuas pelos nós
pelo aéreo
todas as juras
de amor

eterno