sábado, 19 de abril de 2014

um signo sozinho não faz verão



No tato a sensação precisa do mistério. No olhar, o mundo era um imenso signo em rotação com a terra. A gaivota passou bem pertinho e espiou a delicadeza do gesto. O instante era pura magia de sentidos!

tudo acontece dentro do signo. um signo sozinho não faz verão. precisará de outros signos com seus sons, com suas garras de letras, altas, baixas, aos grupos, com suas equivalências e jactâncias (um signo gosta de retórica e de um rock and roll). um signo sentirá todas as setas apontadas pra ele. e na voz dos signos bradará o brado dos ecos, anáforas, aliterações, assonâncias (um signo gosta de bordar-se como um cão faminto ou como uma ave flamante nas línguas e nos olhos da gente). um signo diz: siga! seguir os sinais. os mapas. as linhas do verso. da palma das mãos, abarrotadas de linhas que acabam na curva do polegar. minha mão sobre a sua. corpos de signos caminham em cada poro o corpo que alucina. nenhum signo nessa hora grita. mas todos viram estrelas na nossa boca.