sábado, 31 de maio de 2014

Sol deposto



É sempre assim: ele me olha, sussurra e diz para esperar. Gaivotas são pacientes, mas ando com as asas me coçando. Ah! Ai! não posso mais!

Perene e pálida
Pausada palma
Prenhe esquálida
Aberta em poros
Só raiva e osso

Sol deposto

Falta rasgada
Em mil páginas

Grafonasátonas
gravesatômicas

Palavra nula
Para quem soluça

Ávida de sono.

Onda


Enquanto a tarde caía no Bois de Boulogne, me distraí no tecido da paisagem...

Éramos nós em cada ponta do lençol. Nas dobras, as sobras de nossa pele. O dia ia longo e o branco do tecido cada vez menor. O gesto repetia o compasso. Olhares de corpo. De um avança o segundo que retorna. Lento o lance das mãos. Leve o lençol entre os dedos. Nas dobras feitas, o tecido de nós.