sábado, 26 de setembro de 2015

o tempo do agora

a gaivota e o olhar: na distância do voo o seu outro olho, aquele que lhe mostra o norte toda vez que se perde nessa ânsia de amar tudo o que vê: alain na ponta da asa aponta o impossível...

O que é do tempo sem o amor ?
Pura rotina. Pura chatice. Pura morte.
Hoje tenho pouco a dizer.
O trabalho diário, em volume que não consigo precisar, tolhe-me a atenção e, às vezes, deixa-me anestesiada.
Mas de repente o coração toca, soa aquela nota, pronunciável apenas na voz recolhida da memória, na do rouxinol esperto, sabido, louco e apaixonado.
Ele me salva desta selva de papéis em massa.
Ele me encanta no doce silvo do sol que me apresenta o centro.
De dentro a flor desabrocha: assim são as asas que me acenam ao longe o tempo do agora.