terça-feira, 17 de novembro de 2015

A sismografia do peito

Meu coração é maior do que as minhas mãos. É mais veloz que minhas pernas. É mais vermelho que a flor mais rubra que minha boca pode alcançar. É mais denso que toda minha carne. Meu coração é uma bomba a explodir cotidianamente no peito, no ventre, nos olhos. E meus ossos perplexos de tantos estilhaços alojam as adagas que protegem sua doce arquitetura e sua avassaladora sismografia. Pela manhã acordo desejando o mundo. E ele bate no meu ventre. E se desaloja nos pulsos. Os hemisférios do mundo e seus vasos linfáticos. Por eles meu coração bate as horas. E apanha.

 A gaivota tem um coração maior que suas asas... Por isso sua vibração é como uma corrente elétrica nas penas. Pelo mundo, ela se agita. E treme. E cai ao solo fatigada de tanta dor.