domingo, 12 de novembro de 2017

a borboleta de negras asas

Escrever um livro é como dissecar as asas de uma borboleta, dispô-las uma a uma no casulo que lhe foi ninho. A operação-lagarta está em sua fase de crisálida agora. 

As molduras se tecem: como limites do quadro ou como especiais formas composicionais. De qualquer forma elas "organizam a representação e lhe conferem um significado semiótico". (Uspênski, Boris A. in Semiótica Russa. Org. Boris Schnaiderman. SP: Ed. Perspectiva. p. 177) 

Meu pensamento é teórico e imagístico e o artesanal se nutre do tempo. Por enquanto, lagartonho a verdograça do cuspe-tecido de larvapapila: fio de verso em fino reverso.

Há mais por vir. A colagem é apenas um imagística da forma. Um jeito diferente de eu dar corpo a algo que já tem osso, carne, pele. 

A gaivota pára e pousa pára e pousa qual o corvo de Poe a sussurrar nos ouvidos a sílaba de seu canto de pássaro. Mas é nada agourenta. É viva nesse gesto. Do corvo herda a força e vontade de dilacerar a carne do verso. Forte isso! Di-la-ce-rar! E ela vem com suas delicadezas de dama... Gaivota linda!

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